sexta-feira, setembro 30, 2011

Aforismo Poético Nº 49 - Quando o sol se esvai...




Por vezes a poesia tem a estranha mania de atravessar meus espaços de tempo ocupados. Como quando atira meus olhos ao alto, me faz sentir o cheiro inesperado do céu avermelhado e me remete a idéia de que as vezes a simplicidade de um restinho de dia, tem mais valor do que dias inteiros...
(Antônio Alberto P. de Almeida.)

quinta-feira, setembro 29, 2011

Prosa sobre o desejo.


Viver é um passeio intrépido por dentro de espetáculos onde todos se esmagam atrás dos esmeros dos próprios confeites. Nascemos seres livres e somos sempre condenados a descobrir o furor do tempo, que vai tecendo recorte por recorte e dando sentido a geometria da existência. Somos passistas de uma ciranda desconhecida onde mora escondida uma espécie de beleza esquecida. A de que passear neste grande vazio de sentidos não é outra coisa, se não estar submerso no desejo, coisa impulsionadora do ir e vir, e verdadeiro maestro do mistério da imprevisibilidade mundana... 

(Antônio Alberto P. de Almeida.)










Fonte da foto.

terça-feira, setembro 27, 2011

Aforismo Poético N 48 - Sobre o amor.

O amor é algo que pode existir em diversas dimensões entre a fantasia e a realidade...
(Antônio Alberto P. De Almeida)

quinta-feira, setembro 22, 2011

Prosa sobre um dia frio.




17/09/2011
Aquele era um dia estranho na cidade. O frio era intenso, sacudia as portas, mas a chuva insistia em não cair. Aquele era um dia estranho pra ele, que em particular, gostava da fuga da rotina que  estes lhe proporcionavam. Detestava o ar quente da sua cidade, gostava de quando a temperatura baixava, e lhe remetia a sensação de estar em outro lugar. Outra cidade, com outras pessoas, outra cultura, outros pensamentos. Mas a cidade ainda era a mesma, com as mesmas pessoas, a mesma cultura, e os mesmos pensamentos, os quais nunca partilhou com muito gosto. Aquele seria apenas mais um pedaço de tempo que queria quebrar a constância da rotina, e talvez, pela primeira vez, fizesse isso com tanta veemência. Algo havia mudado na vida dele. Soava como um final de um ciclo, mas poderia ser apenas um retrocesso a algum lugar que ele não queria voltar. Ele não sabia sobre o futuro, ninguém nunca sabe. Não acreditava em cartomantes, em astrologia, em religião ou coisas similares. Naquele instante, só restava em ti as próprias sensações. E elas eram estranhas, apesar de entrar em contraste com o mar revolto que a força da ventania proporcionava. Era uma sensação de calma intensa, em nada lembrava as dificuldades dos dias anteriores. Era sim, um dia estranho. Tão estranho, que passou diante da mulher espantada, que estava sendo assaltada, e não sentiu medo. Nada parecia ser capaz de desconstruir a sua paz interior. Se era o frio que lhe proporcionava esta sensação não sabia. Sobre nada sabia, além do seu próprio presente. Andou, andou, e parou no ponto de ônibus, em busca de respostas. Percebeu que no vidro em frente a ti, refletia uma propaganda que estava atrás de ti, que provavelmente nunca repararia. Ele estava dentro da propaganda do banco. Era assim que se sentia naquela sociedade, como um produto. Sua vida em nada lembrava o filme de arte romântico, que acabará de assistir - embora sua alma estivesse em plena sintonia com a poesia das cenas, ela não era passível de ser alcançada mais. Seu espírito não estava em sintonia com os valores daquela sociedade, que representavam perfeitamente a idéia de estar dentro do anúncio de um banco. Era o reflexo, era uma montagem, mas era também a realidade. Há uma máxima do senso comum, que diz que espelhos não mentem, é verdade. Nada disso parecia ser alegre ou triste, eram apenas mais alguns fato banais da vida. No fundo a vida é toda composta de banalidades. Mas, se por ventura fosse triste, nem a tristeza poderia ser expressa naquele lugar mais. Grande parte vivia da aparência forçada da própria felicidade. E assim, a vida continuava certamente o frio passaria logo para dar lugar ao sol escaldante, que detestava, e a rotina voltaria, enfim, levando os dias estranhos embora. Que graça, teria então? Mais valiam os dias estranhos, do que a rotina enfadonha, que em nada proporcionava momentos artísticos. Era assim que pensava. Não existe pensamento certo ou errado. Mas existem pensamentos aprisionados e livres. A arte é a expressão do pensamento livre. E assim funcionava para ele, aquele momento, como a chance de viver algo que nunca fora vivido até ali, e que certamente nunca mais seria vivido daquela forma. E a chuva passaria, é verdade. Mas ainda havia a noite, a lua, as estrelas. Aquela seria uma noite longa. Mas a sensação era de plenitude. Noites longas nem sempre são feitas de lágrimas ou insônia. Há os que estão aptos a contemplá-la. E, então, surgiria o dia. E a noite de novo. E o dia. E os dias passariam. E ele chegaria em algum lugar novo, não sabia aonde. Mas tinha a certeza que iria chegar. Era apenas o começo. Começos são chatos. Sejam em livros, novelas, jornais. Começos são sempre começos. E aquilo era o significado principal, apenas um dia estranho que representava um começo. Só, somente. Haveriam outros começos, já tinham havido outros começos. E talvez o vento estivesse ali, para levar tudo aquilo que o passado representou embora, para longe. E a chuva chegaria, para varrer as sensações imundas, para lavar a alma. Era só o começo da noite de um dia estranho, no relógio apontava 19:27. As expectativas sobre aquele dia não eram lá grandiosas. E não precisavam ser mais, tudo que haveria de acontecer, já havia acontecido, e terminava com o ponto final de um texto, em paralelo aos três pontos de continuação da vida. E, enfim, era a hora de seguir em frente, só. Isso sempre basta. Tudo é simples, as pessoas que gostam de complicar. É verdade, que a vida não teria graça sem as fantasias, mas enfim, era o momento de se chegar ao fim, e aquele era um final de algo que definitivamente não acabava ali.
(Antônio Alberto P. de Almeida)

domingo, setembro 18, 2011

Uma maneira de se cativar uma alma.




Não há outra maneira de cativar uma alma, se não com a mesma sensibilidade que um jardineiro cultiva a sua flor preferida. Não precisamos de ferramentas mágicas,  podemos apenas utilizar carinho. Em alguns momentos bastará que passemos nos rostos, em outros será necessário que seja no corpo inteiro. O tempo nos ensinará que assim cativamos sorrisos.E quando tivermos a sensação da sinceridade límpida, aquela que nasce do fundo da alma, de nada mais precisaremos... 
(Antônio Alberto P. De Almeida.)

sábado, setembro 17, 2011

Medianeras- - um dos filmes mais bonitos que já vi.



Sinopse: Mariana, Martin e a cidade. Os dois vivem na mesma quadra, em apartamentos um de frente para o outro, mas nunca conseguem se encontrar. Eles se cruzam sem saber da existência do outro. Ela sobe as escadas, ele desce as escadas; ela entra no ônibus, ele sai do ônibus. Eles frequentam a mesma videolocadora, sempre com um stand de filmes os separando. Eles sentam na mesma fileira em um cinema, mas a sala é escura. A cidade que os coloca juntos é a mesma que os separa.

quinta-feira, setembro 15, 2011

As pantufas da alma.




Questiono-me como seria concebido um par de pantufas para a alma. Debruço sobre a banalidade da minha própria questão. Reconheço a minha própria ignorância. Sei apenas que a alma é nua e se assemelha a uma ventania. Coisa estranha que caminha entre ser brisa ou tormento. Que  pode ter a serenidade da lua e iluminar o céu, sem ninguém notar. Pode ser o afago prestes a tocar no coração que passa reto, ligeiro, despercebido. Ou pode ser a protagonista da tarde bonita, quando ilustra cenários do amor recém-descoberto. Que dirão os poetas da alma? Que ela é essência, espírito ou apenas poesia? Seria apenas um nó misterioso que se entrelaça com a vida? Ou espécie de sensibilidade... Tão bem escondida dentro do ser? Ou a coisa profunda, espécie de porão do existir? Onde se escondem os segredos mais obscuros? Questionamentos infinitos... Fico apenas com a  idéia de algo que se metamorfoseia constantemente, e que por ter nascido do vento, não lhe cabe um par de pantufas, mas uma dose de sentidos apurados, para que a escuta do invisível não se torne coisa despercebida e inteligível...
(Antônio Alberto P. de Almeida.)

quarta-feira, setembro 14, 2011

É possível ser pleno?




Nem sempre podemos ser inteiros. Como Cecília Meireles disse certa vez: aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira. Creio que precisamos apenas aceitar a idéia simples de que as vezes a vida nós cobrará uma mão, um braço, ou até mesmo a nossa alma, e precisaremos doar e nos dar, muitas vezes a troco de nada - e isso jamais destituirá a nossa plenitude. Há uma diferença entre estar pleno e ser inteiro. Ser pleno significa ter o ser e a vida em comunhão com uma conexão sinestésica profunda - embora isso não signifique necessariamente estar feliz. A roda das sensações faz parte da plenitude. Ser inteiro, ao contrário do estar pleno, significa nunca ter arriscado, nunca ter doído, nunca ter se jogado sobre as cercas de arame farpado da existência - significa, em poucas palavras, ter deixado de lado a parte mais interessante da experiência do viver...
(Antônio Alberto P. de Almeida.)

domingo, setembro 11, 2011

Poemas e crianças.




Poemas e crianças.

Preste atenção nas crianças.
Veja como são sublimes os
Seus passeios sobre as metáforas
Das existências humanas.
Que mundo bonito. Onde nuvem 
Pode ser algodão-doce. Onde as
Folhas das plantas viram objeto
De observação e brincadeira. E
No final todos viram heróis.
Fatos incomuns que evidenciam
Algo sublime - embora esquecido:
É o processo de desenvolver
Que endurece e liquida o ato
Poético da imaginação, para
Muitos e muitos. Alguns 
Resistem, estes viram poetas.
Mas, poeta não é apenas quem
Evidencia a literatura em verso.
Poeta é um ser simples. 
É aquele que enxerga. É um
Ser que faz viver em si, uma
Literatura dentro das coisas da vida.
(Antônio Alberto P. de Almeida)

quinta-feira, setembro 08, 2011

Sonhos eternos.





Em algum período do meu passado, conheci muitas pessoas que descreveria como tendo uma alma bonita. Algo as tornava completamente diferentes das outras pessoas. Creio que o ponto exato a se referir seja a sensibilidade. Eram pessoas que detinham uma certa sensibilidade bonita e me faziam acreditar na profundidade das relações e da própria alma dos seres humanos. O tempo enfim, passou. E, depois de um certo tempo, nunca mais tive a experiência de conhecer alguém que tivesse uma sensibilidade mais apurada. Em determinados momentos eu me questiono sobre isso. Por terem sido muitas em pouco tempo, eu tive a ilusão de que existiam muitas como elas. Não existem. Hoje eu vejo com saudosismo quando leio alguém se descrever como sensível, ou algo similar a isso. O saudosismo de quem vive a dura rotina da realidade todos os dias. E vê muitas pessoas engessadas, padronizadas, racionais, estereotipadas, sem sonhos, sem individualidade. Talvez a minha própria alma tenha endurecido, em virtude das porradas que eu tomo na vida, mas não quero desistir de sonhar. Não quero desistir de encontrar mais pessoas como aquelas, eu sei que elas existem, a cada dia que passa em número menor, mas existem. E são por elas, e pela própria noção de que há algo no mundo que caminha errado, que a vida vale ser vivida. Não acredito em soluções mágicas, nem em realidades e pessoas perfeitas. Mas não há nada que me faça crer que tudo não pode ser muito melhor do que é hoje, não o mundo, mas as pessoas. O mundo, a sociedade, o estado, as instituições, são coisas que estão para além de uma coisa bem óbvia, embora esquecida, todos esses elementos são constituídos de redes de relações entre pessoas. Não quero crer na utopia imaginária da solução mágica. Também não sei qual a solução. Quero apenas crer que as pessoas de alma bonita ainda existem e que em algum momento da minha vida eu voltarei as encontrar, e isso bastará. Talvez em algum momento eu tenha me perdido dentro do meu próprio caminho de vida. Não existe caminho, o que existe é uma coleção de decisões que a gente toma, sem saber exatamente no que vai dá. Nada pré-construído, nem pré-estabelecido. Destino é a ilusão que o conformista tem para não tomar as rédeas pela sua própria vida. Nada me resta, se não tomar decisões. Agora se eu pudesse ter uma certeza, queria apenas a de que os fatos aleatórios me conduzirão às pessoas de alma bonita novamente.
(Antônio Alberto P de Almeida)

terça-feira, setembro 06, 2011

Sobre a natureza das relações.




Sobre a natureza das relações.
Começo o texto destacando uma frase de Caio Fernando Abreu: ‎"Essa morte constante das coisas é o que mais dói."

Encontrava-me mergulhado no meu ócio de fim de noite, naquele conjunto de instantes em que o sono ainda não jaz como uma verdade absoluta, mas o dia parece não ter nenhum valor, nenhuma utilidade. Decidi então sair do meu próprio niilismo literário-existencial e angariar um sentido a ele. Prestei-me ao papel de refletir acerca de alguns tópicos natureza das relações humanas, que vejo no meu dia-a-dia.
Decidi me centrar em um ponto principal do questionamento: trata-se da própria relação das pessoas com os estados temporais: passado, presente e futuro. Observando alguns exemplos do meu cotidiano, notei que há diferenças imensas no trato geral acerca do mesmo.
Percebi que há pessoas que tem horror ao passado. Outras detém um apego incondicional, ao ponto esquecerem que elas  próprias tem uma outra vida que ainda pode ser construída de uma outra forma. E, no ponto extremo, estão aquelas que amam incondicionalmente o presente, ou não conseguem ter nenhum tipo de raciocínio sobre o passado, geralmente em virtude do ganho de um “novo presente”, que parece ter substituído de forma incondicional tudo aquilo que aquela pessoa tinha construído, ou mantinha, outrora.
O horror ao passado se configura de forma curiosa, mas ao contrário do que diz o senso comum, não ocorre necessariamente em virtude de uma vivência traumática. Há pessoas que não se interessam pela própria vida, que criam novos personagens para vencer a si mesmas. Para estas, não interessa o que existiu no passado. Muitas criam vários personagens ao longo da vida. São verdadeiras artistas da existência. Mas por detrás disso há o vazio da própria falta de identidade. Vazio este que eclode em algum momento, inevitavelmente, quando não caminha durante todo o tempo com o sujeito.
Outro tópico que diz respeito ao desinteresse que o sujeito tem não pela própria história, mas pelo próprio prosseguir temporal. A diferença é tênue, a pessoa vive exclusivamente no presente, e não raciocina que há um passado ou um futuro. Este, geralmente é tratado pela expressão “carpem diem”, e trata-se de algo difícil de analisar, por varia da intensidade como o sujeito opera o mesmo, e as suas próprias circunstâncias de vida.
Partindo para o amor incondicional ao presente, nota-se que o mesmo nasce a partir de uma guinada de rumos da vida do sujeito, muito em virtude de algum acontecimento que o faz alterar a sua própria relação com o espaço temporal. De que forma isso se dá? Várias, mas geralmente entre os jovens contemporâneos isso pode ser resumido quando o amigo(a) ganha um namorado(a) e some. Situação muito comum, e exemplo a ser utilizado. O sujeito investe todas as suas forças no tal objeto, esquecendo que havia uma história construída outrora. Muitas vezes chega a mergulhar tão profundamente, que esfacela a sua própria identidade. Nestes momentos eu queria ser psicanalista para poder explicar isso melhor, mas parece que há alguma reprodução, alguma fantasia, algum tipo de retorno, que faz com que o sujeito esqueça da sua própria construção existencial e afetiva social.
É notável que o homem é o único animal que consegue se situar no espaço temporal, e consegue raciocinar sobre o passado, prever futuros e analisar presentes. E certamente somos muito gratificados existencialmente por ter isso. Mas de que forma o homem está lidando com este fato, em um mundo tão globalizado e tão cheio de novas distorções no espaço-tempo? É uma questão que fica, e para além do bem e do mal, porque no fundo o que importa é a experiência do sujeito dentro da sua própria existência. E idas e vindas fazem parte da vida.
(Antônio Alberto P. de Almeida.)

domingo, setembro 04, 2011

Trecho de Contardo Calligaris


(...)
Há uma outra pergunta sua que ficou até agora sem resposta. Você me escreveu o seguinte: “Entendi que você não defende normalidade alguma; você não quer definir uma maneira de ser que lhe pareceria mais certa do que as outras. Mas será que não há algo que, de alguma forma, mesmo sem querer, você promove em seus pacientes?”.
Pensando bem, não sou tão neutro quanto disse. É verdade que nada me parece patológico, a menos que seja, direta ou indiretamente, o objeto da queixa do paciente. Mas você tem razão, há uma coisa que prezo e outra que, de uma certa forma, antagonizo e tento contrariar, mesmo que não seja objeto de queixa.
Prezo a qualidade da experiência vivida. Mas a qualidade não é uma questão de agrado ou desagrado; a qualidade da experiência é função da intensidade com a qual nos permitimos viver. O destino (digamos assim) nos serve pratos variados: alguns dolorosos, outros jocosos e festivos. O importante, para mim, não é que os dolorosos sejam evitados; o importante é que todos sejam saborosos, ou seja, que topemos saboreá-los.
É muito raro, por exemplo, que entenda o trabalho psicoterá pico como uma forma de consolação que tentaria atenuar o impacto de uma lembrança ou de um evento penosos. Das várias formas possíveis de infelicidade, a que me parece mais aflitiva não é necessariamente a que mais dói. Muito mais trágico me parece o destino de quem atravessa a vida sem se molhar, como se os efeitos (felizes ou nefastos) escorressem sobre a pele como água sobre as plumas de um pato.
Com seus altos e baixos, imagine nossa vida como uma breve passagem por um circuito de montanhas- russas. Quem atravessasse a experiência anestesiado, sem gritos, pavor e risos, teria jogado fora o dinheiro do bilhete. Tenho a ambição, ao contrário, de ajudar meus pacientes a viver de tal forma que, chegando o fim, eles possam dizer-se que a corrida foi boa.
Vamos ao que antagonizo, mesmo que não seja objeto de queixa do paciente. Antagonizo, em geral, os artifícios pelos quais desistimos de ser sujeitos, ou seja, as estratégias que encontramos para evitar aquelas dificuldades de viver que fazem parte do lote standard de nossa cultura. Sobretudo as estratégias coletivas: desconfio das instituições políticas, religiosas, burocráticas que
oferecem a seus adeptos uma chance de esquivar-se das expressões básicas da subjetividade moderna, desde a incerteza moral (o que éjusto? o que é errado?) até a questão sempre aberta sobre o nosso desejo (qual é o meu querer?).
Por que antagonizar essas formas de descanso da subjetividade? Fechando o circulo: porque elas diminuem a intensidade da experiência, tornam a corrida sem graça. 

(...)

Contado Calligaris P 151 - 153 em Cartas a Um Jovem Terapeuta.