A Noite de Chuva.
Numa noite dentre tantas outras,
Deparo-me com o limiar de trovões
Atravessando a minha janela,
E com os ruídos do barulho da água
Que encosta de forma violenta
No chão - e ameaça fazer o mundo desabar.
E enquanto o céu grita violentamente...
A minha alma envolta
Pela mais terna serenidade.
Cala a voz do mundo. E traz
O silêncio de volta para
O meu entorno.
Tanta calmaria...
Questiono-me se o silêncio,
Não é como a solidão,
Que não se subjetiva diante
De alguma flor posta na frente,
Mas diante do nada sem razão
Do estar sendo de cada um.
Encosto-me no ventar das ideias,
Enquanto o céu se cala bruscamente.
Sinto que uma pequena parte da vida,
Fez-se diante dos meus olhos,
Em ato da natureza.
E é nesse dito do não-dito.
Que os segundos se fazem minutos,
Horas, dias, anos, décadas.
E a vida vai dizendo e desdizendo,
No equilíbrio do presente,
Diante do infinito do passado.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
