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domingo, junho 29, 2014

[A Reflexão e o Cotidiano.] O Sossego.

O Sossego. 
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Suspeito que o afeto mais sublime se assemelha, a uma tarde ensolarada qualquer, pelo potencial que esta tem em ser  banal e desimportante. Depois, penso na verdade que há naquele sentimento que eclode por um outro não essencial.  Neste mundo das tantas necessidades e tanto pragmatismo nas relações, penso na profundidade que há naquele afeto sincero, que não  nasce a partir da busca em si, mas do encontro ao acaso, dos abraços, das trocas de olhares, do tece o lã que se dá no  espaço entre as manhãs, as tardes e as noites. 
(Antônio Alberto P. de Almeida.) 

domingo, junho 01, 2014

[A Reflexão e o Cotidiano.] Quando um aniversário torna-se muito mais do que uma mera transição de idade.

Quando um aniversário torna-se muito mais do que uma mera transição de idade.

I

Para mim, a metáfora que mais se encaixa para a vida, é de que ela é uma estrada. Algumas vezes estando nela precisamos mudar de rumo, fazer mudanças bruscas, optar por outras paisagens, outros caminhos. Mas, nela também há uma série de desvios, que nos fazem ora ir para um lado, ora ir para outro, estas são as mudanças sutis, aquelas que de forma singela compõe o dia-a-dia. A chuva que nos faz ir mais lentamente, a neblina, o sol quente, os campos de flores, os detalhes despercebidos. E também recebemos companhias, partidas, idas e vindas, não estamos sozinhos. Em alguns momentos, ao acreditar naqueles que nos acompanhava, somos deixados para trás. Em outros precisamos simplesmente realizar despedidas silenciosas e partir de forma mais veloz, em busca de outros rumos, lugares. E, acima de tudo, precisamos aceitar que determinados caminhos devem ser atravessados solitariamente ainda que saibamos que, em algum lugar, de algum ponto de alguma estrada, há aquelas pessoas que por nós foram marcadas e nos marcaram e elas estarão sempre na espera do dia do  reencontro.

II

Atravessei mais um ano de idade.

E agora faço novas travessias,

Pelo mundo e pela vida.

 (Antônio Alberto P. de Almeida) 

terça-feira, abril 22, 2014

[A Reflexão e o Cotidiano.] Defronte a mim o mar.


Defronte a mim o mar.
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Hoje as sensações fluem de forma serena. Sinto-me, como se estivesse em um fim de tarde, ainda que seja noite,  defronte ao mar d’onde escuto levemente a sinfonia do ir e vir das ondas. O dia é claro, há silêncio e plenitude. Como se o momento nunca bastasse, isso me põe então a refletir: mergulho nesta leve sensação, de onde tento tirar palavras. A palavra que eu tiro é crescimento e acho que ela basta. Não penso em outras. Não há outras. Penso em quão doloroso é avançar no entendimento e na aceitação da vida. Ao entendermos e aceitarmos, também fazemos renúncia. Renunciamos, então, àquelas coisas nocivas que insistíamos em carregar conosco. Então, ficamos mais livre, e por estarmos mais livres,  surgem-nos a possibilidade de novos encontros, de novas idéias, e de sermos sujeitos da nossa própria história com mais veemência, de modo que também passamos a ter  uma maior responsabilidade com as nossas próprias escolhas.  Não mais, então, passamos a nos flagelar por aquilo que vem do outro, nem a culparmos a infelicidade dos acontecimentos pelas nossas tempestades. Entender, aceitar, renunciar e optar, é também poder compreender com mais profundidade o dinamismo do viver. E quando passamos a entender com mais profundidade estes processos, em verdade não ganhamos um maior domínio sobre eles, apenas passamos a aceitar a intempérie das dos seus quadros imprevisíveis que se sucedem dia após dia em nossas existências.
(Antônio Alberto P. de Almeida)

quarta-feira, abril 16, 2014

[A Reflexão e o Cotidiano] A Liberdade e o Desejo.

A Liberdade e o Desejo.
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Hoje estive refletindo sobre a sustentação do desejo, algo que para o senso comum tem aparência simplificada, mas que envolve muito mais do que a sua superficialização poderia indicar. Não pretendo esgotar as reflexões acerca da temática, que pode envolver  um aprofundamento muito maior do que o que eu exponho aqui, mas pretendo levantar alguns itens sobre o mesmo. Primeiro, penso em como isso envolve uma determinada responsabilidade que diz respeito a sermos optantes pelas nossas escolhas e a termos posicionamento diante da vida e diante da nossa própria história. Recordo-me, então, de Sartre: "O importante não é aquilo que fizeram de você, mas o que você faz daquilo que fizeram de você." Acho que esse aforismo resume, inicialmente, este ponto. Adentrando neste aforismo, penso em o quanto se posicionar envolve conflitos internos e externos, rupturas, caminhos novos, por vezes tortuosos, mas mais dignos, acredito, apesar dos poréns. Digo dignos, pois bancar nossas escolhas desejantes, é de onde pode partir uma vida gratificante. A partir dela, que escrevemos as nossas linhas próprias e podemos chegar, de fato, no lugar onde queremos. Volto para o existencialismo e cito Sartre novamente: "O Homem está condenado a ser livre", acrescentaria apenas uma frase para completar esta reflexão: "O Homem está condenado a ser livre quando é sujeito do seu próprio desejo."
(Antônio Alberto P. de Almeida)

terça-feira, abril 15, 2014

[A Reflexão e o Cotidiano.] A Profissão e o Psicólogo.

Há algumas semanas venho pensando em algo que me incomoda. Tenho pensando em como certas pessoas se utilizam das abordagens ou dos campos de trabalho em psicologia de um modo, no mínimo, inadequado. Refiro-me àqueles que se apropriam das teorias e querem criar estilos de vida ou religiões em cima dos mesmos. Podemos sim, ser apaixonados por aquilo que fazemos, precisamos crer, descrer e optar e tudo isso implica em posições políticas, escolhas epistemológicas, etc. Mas, não podemos deixar que a partir disso ocorra uma alienação no nível que eu citei acima. A escolha, profissional, não torna ninguém melhor do que ninguém, nem eticamente, nem enquanto pessoa. Por mais que se acumule saber, por mais que estudemos, crer no saber total será sempre um engano. Parece que algumas vezes esquecem-se de um ponto elementar e básico acerca disso, o saber, em especial na clínica, será sempre aquilo que vem da individualidade e da história do outro e esse sempre é o começo.
(Antônio Alberto P. de Almeida)

sábado, abril 12, 2014

[A Reflexão e o Cotidiano.] A Relação e o outro.

Dando continuidade as mudanças no blog, inauguro esta nova seção, na qual pretendo expor alguns pensamentos que me surgirem no decorrer dos dias. 
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A Relação e o outro.
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Nesta tarde estive pensando nas relações contemporâneas, em como tudo se faz e se desfaz com uma liquefação tão intensa. Observei e analisei tantos casos em que o outro se declara responsável por si mesmo e que isso, para ele nessa posição, implica numa negação quase que absoluta daquele outro com o qual ele está se relacionando. É mesmo um narcisismo bastante intenso e que há tempos vem me incomodando. Pensei: será que essa é a norma? Será que eu deveria ser assim também? Será que é preciso mudar? Cheguei a conclusão que não, que eu acredito no relacionar-se que não se restringe ao valor que eu posso suportar daquilo que eu faço e que implica um outro, mas em uma determinada responsabilidade que eu adquiro ao efetuar uma relação. Isso não implica, claro, numa ideia de que todas as minhas escolhas dependam das consequências e do outro, mas acima de tudo numa posição ética no relacionar-se de que eu não posso tudo, assim como o outro não pode tudo.  E é assim que se constrói uma relação, na minha concepção. 
(Antônio Alberto P. de Almeida)