[Poesia] Estrofes em tempo de falar sobre o tempo.
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E faltam-me
até os segundos
Para os
versos passíveis de traduzir
Os pequenos
elementos do cotidiano
Na solidez
da beleza que
Não se faz numa palavra só,
Mas num
conjunto de versos passíveis
Até mesmo de
existir para o eterno.
Se já não
tenho tempo, apenas observo.
Que eterna mesmo é a vida em três belos passos.
Dados com tanta maestria, que são seguidos de um tombo.
Que no ato da queda vira os olhos para o outro lado
E torna passível uma visão que antes não existia:
É como se perdêssemos as cores,
Quando optamos por “óculos escuros”.
Se já não
tenho tempo, apenas observo,
Essa gente
chegando e partindo,
É como se a
gente tivesse feito da vida,
Uma grande
estação de trem às quatro da tarde,
De alguma
data muito importante...
Mas se não
estamos numa estação de trem às quatro da tarde,
De alguma
data muito importante...
É que a
própria vida é isso,
Sem uma
palavra a mais, nem a menos.
Se já não
tenho tempo, o tempo sou eu mesmo.
Acometido
pelas músicas desgastadas e retorcidas,
Que mais
parecem velhas roupas
Jogadas ao
fundo do armário,
Ou papéis
amarelados no fundo
Da gaveta
cheia de poeira.
E se sou o
próprio tempo
É porque ele
entra por dentro de mim,
Atravessa-me
de uma forma inevitável,
Desfazendo e
rindo.
Zombando da
minha ansiedade.
Dos meus desejos
pulsantes,
Enquanto
passa tranquilamente,
Como se tudo
não passasse de uma tarde,
No banco de uma
praça cercada de árvores...
E se esse
tempo que me atravessa,
Já sou eu ao
mesmo tempo em que está distante
Quando faz de
mim seu eterno refém,
Questiono-me,
o que nessa vida de temporalidades,
É mesmo
importante diante das efemeridades?
É tão
somente a ausência da contemplação do vazio,
Que nos atira
lentamente aos passeios inevitáveis...
Rumo ao que
eu poderia, numa visão muito otimista,
Classificar
de “momentos elementares” da vida,
Ou grandes momentos. Mas, assim não chamo.
Ou grandes momentos. Mas, assim não chamo.
Não há
garantia, há apenas contemplação, desejo.
Algo vindo e
coisa sempre sendo vivida,
E, então, caro
companheiro de breves
Ou até mesmo
de longas caminhadas,
O que é
mesmo de mais belo
Que poderíamos
ter nesta vida?
(Antônio
Alberto P. de Almeida)


