Escrevo sobre as incoerências da escrita.
Ou
Considerações sobre o fato de não haver escritos.
Minhas palavras, na atualidade
Uma parte a serviço da ciência.
As outras, sobre o amor, são ditas reservadamente.
Penso sobre isto,
As palavras sobre a ciência são guardadas,
Muito bem ensaiadas. Vistas por uns e criticadas.
Levam meses ou anos numa incubadora...
Procurando a sua melhor expressão,
A sua exatidão com os ditos dos outros.
Não devem ser muito ousadas.
Para ousar é preciso muitas palavras.
E olha lá quem sai do conforto para tal...
As palavras de amor são espontâneas.
Elas encontram o seu respaldo num sorriso.
Tem fluidez e leveza.
Reverberam no imediatamente.
São urgentes. Debutam e já são.
Quem serei eu...
Entre as palavras de amor e as palavras da ciência.
A escrever poesia?
A falta agora é bem menor.
Resta sorrir e viver...
Entre as minhas palavras,
Muito mais do que dizê-las ao mundo..
(Antônio Alberto P. de Almeida)