Há instantes em que o vácuo é uma criatura soberana diante do nosso próprio vazio. Há outros em que os sentidos não cabem no mundo. É como se ora este pudesse ser desinteressante e no instante seguinte chegasse a faltar. É assim, quando nos sobra uma afetividade profunda, mesmo diante da imensa falta de significação para tal coisa. Talvez a tristeza, da insignifância, seja um caminho errante que se segue. Triste, não é saber amar. Não deveria ser. Mas que adianta falar? Se por mais que saíbamos disso, jamais nos contetaremos com a ausência de olhar sobre nós mesmos, em profundidade. Talvez, o egoísmo da modernidade, reduza em muito as chances de algo mais perto da essência do que eu descrevo. Justo neste mundo, onde cabe tanta hipocrísia, e falta afeto, para alguns, parece não faltar nada. A vida está completa, mesmo que aos retalhos. Desconfio do excesso de segurança. Das criaturas indomáveis. Dos excessos de virtudes. E talvez por isso, me debruço sobre algo, que eu sei que não vai ter fim, porque não tem começo, nem sentido. Não se trata de uma nova leitura do mundo. Da poesia, dos amores, das milhares de pessoas. Dos meus sonhos. Da vida. Mas, uma descrição enigmática, para a maioria, que trata da falta de compreensão do mundo, diante dos afetos. Não espere uma conclusão digna, profunda. Porque, neste momento, eu me sinto envolto por uma aurea, que me faz acreditar que as criaturas como eu, não preveem o futuro, só fazem descrever o passado. E, se muito, sonhar a partir dele. E se o sonho é que o mundo mude, que os afetos sejam mais sinceros e respeitados, talvez falte uma razão para muitos. Que seguem as suas vida, numa suposta harmonia com este todo. Mas, para mim, o que falta mesmo, é sensibilidade nestes corações tão maltratados por este cotidiano tão engessado pela rotina dura daqueles que querem vencer, mesmo que vencer, possa ser o mesmo que o nada, diante da renúncia dos nossos verdadeiros desejos e afetos.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
