terça-feira, outubro 30, 2012

[Conto] A Eleição de 2042.

 

E  chega ao fim a eleição para prefeito de 2042 em Salvador. Depois de prometer a extensão do metrô até “Cazajeiras”, ACM V acaba de vencer a eleição para prefeito. Ele derrotou o candidato Peregrino Neto, tal fato impôs a décima segunda derrota seguida à família.  “Eles votaram contra o povo. Lula vive e está conosco. Somos o verdadeiro time do povão.” Disse o candidato na coletiva após a confirmação da vitória do seu adversário. A campanha foi marcada por atos de violência entre as militâncias-torcidas. De um lado, os azuis, que são representados pela sua decenária facção, o Democratas Futebol Clube, conhecido como o baluarte da nobreza baiana. Do outro os vermelhos, que são representados pelo “TFC”, Trabalhador Futebol Clube, cujo o slogan é: “O time do povão.” Apesar de ter entre seus dirigentes moradores de bairros nobres, renegados pela direção do DFC, comentam as más línguas. 
A provocação neste momento é intensa. A força nacional de segurança foi convocada para guardar o patrimônio dos dois clubes, que esteve sob ameaça nas redes sociais. Militantes-torcedores azuis ameaçaram defender com unhas e dentes o “ACMÃO”, Estádio Municipal Antônio Carlos Magalhães, que foi inaugurado, no bairro da Graça, na gestão do neto do ilustre líder. Do outro lado, temos o “Dilmão”, Estádio Nacional das “Cazajeiras” Dilma Roussef, inaugurado na gestão do governador do referido partido, em resposta à construção do estádio municipal. Aliás, além da inauguração do centro esportivo, o nome do bairro foi mudado, como forma de homenagear uma fala da referida presidente anos antes. 
Militantes-torcedores dos dois partidos-clubes trocaram ofensas e ameaças. Como exemplo transcrevemos o trecho a seguir: ”Vitória do Democratas FC só se comemora na Barra, na Graça e na Pituba. Vamo quebrar tudo. ” Em resposta eles responderam: “Não tem torcedor do Time dos Trabalhadores nem em Cazajeiras! Fracassados. ”
A população, ausente de envolvimento, ignora o conflito. Bando de besta, futebol e política não se discute, disse Joana à reportagem.  Graças a minha gestão, hoje ACM V está no poder, relatou o ex-prefeito da capital, João Henrique, gestor entre 2005 e 2013 - embora não haja muita gente que se lembre disso. Outra cidadã entrevistada, que não quis se identificar, disse que não vota há mais de 40 anos, “Os candidatos são sempre os mesmos” – relatou ao se justificar. . 
A Federação Baiana de Futebol teme pela segurança do próximo clássico, marcado para a semana que vem. Neste momento se estuda adiá-lo, ou até mesmo cancelá-lo, para o bem da cidade. O TRE, ao contrário, disse que a eleição transcorreu em clima de normalidade, salvo alguns conflitos entre militantes-torcedores perto das seções eleitorais.
(Antônio Alberto P. de Almeida) 
Créditos na elaboração da idéia para Rafael Lima.

segunda-feira, outubro 29, 2012

[Poesia] Quando a política passa, vem a poesia.



Quando a política passa
Vejo a poesia enfim
A rua é torta e rasa
O mar maior que o fim

Os projetos, as promessas
As disputas, a ideologia
Nada disso cabe a escrita
Se são palavras que saem por aí
Vazias de verdade e beleza
Cheias de baboseiras e demagogias. 

A oratória se esvai
O candidato também
E o trio elétrico lá se vai
Cai(rá) todo mundo dentro da história.
A poesia não. 
Ela é sempre velha e nova.
Se reinventa a cada sentido 
Dado ao novo lido.
E é por isso que ela não passa.
Sempre volta.
Pra cantar pra história.
Que ela sempre se renova. 
(Antônio Alberto P. de Almeida)

quinta-feira, outubro 25, 2012

[Prosa] Os espíritos e o mundo.


E quando o tédio da normalidade repetitiva lhe impõe a sensação circular de que toda gente já foi conhecida? Que por mais que pareçam novos, são sempre os mesmos rostos? Que faço eu, nessa época tão estranha, onde a esteira monetária padronizou o mundo? São questionamentos que só me fazem voar. E cavalgam comigo no ar, para longe dessa ordem desordenada. Pois, apenas na desordem ordenada, encontrarei de novo corpos singulares, que guardam por dentro si almas tão belas, mas tão belas, que não cabem na mesquinhez desse mundo dos desejos efêmeros, onde os voos rasos rumo ao além do tudo, de tão desordeiros, não são mais, do que simplesmente raros.
(Antônio Alberto P. de Almeida)

terça-feira, outubro 23, 2012

Aforismo Poético Nº 53 Entre os ditames invisíveis.

Existir é estar destinado a nunca escapar do estarrecido, que eclode diante da cena jamais antes imaginada. 
(Antônio Alberto P. de Almeida)

quarta-feira, outubro 17, 2012