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quarta-feira, abril 18, 2012

III Diário de Viagem - [Poesia] Sobre Paris.




Paris é uma andarilha que passeia
Com o peso ordinário do tempo
Nas suas veias incorpóreas e flutuantes.
É uma anciã, que guarda a ruga exibicionista 
E no outro lado da face, é a mais taciturna
Dentre todas as senhoras do mundo.
É a expressão contraditória do vagabundo
Que passeia entre o álcool e as letras.
E o empresário ordinário que passeia de barco.
É como se ora, pudesse ser a vanguarda da mudança.
Na outra, a mais pura expressão do dinheiro imundo.
Que compra as suas próprias ruas, sonhos e esperanças.
Quem é você, pobre senhora do velho mundo? 

É a brava que resiste a ação do tempo?
Ou a doce intérprete do mundo?
É a própria liberdade, outrora escrita?
Ou são os sistemas de controle 
Que fazem reinar uma maçã inimiga
Dentro do seu próprio castelo...
Pobre de ti, dona do infinito, 
Que traz no âmago do seu seio
Os arcos das memórias órfãs
Por onde é capaz de recitar 
Toda a história da humanidade
Nestes tempos sombrios, onde o que reina 
É a dissolução das identidades.  
(Antônio Alberto P de Almeida.)

terça-feira, abril 10, 2012

Diário de Viagem II - Política Brasil vs França e meu dia.


O horário eleitoral na França, é destituído dos elementos alegóricos que há no Brasil. Cada candidato tem mais ou menos o mesmo tempo, e fala objetivamente sobre as principais propostas, que, tirando um ou outro radical de esquerda-direita, são passíveis de serem executadas. É interessante notar que os candidatos se atém a se posicionar acerca dos temas mais importantes, como economia, controle da imigração, violência, educação, de forma objetiva. E sem fantasias. Não há os jingles estúpidos, os fundos fantasiosos, as megas produções audiovisuais.  Além disso, saltou-me aos olhos o fato do candidato se posicionar ideologicamente. Mesmo que a sua posição seja esdrúxula e não-popular. 
No mais, não sei direito como funciona o sistema político francês na prática. Sei que há uma eterna polarização entre dois partidos, que se revezam no poder. Creio que deve haver um controle econômico sobre a ideologia popular também, apesar de ser menos escancarado que no Brasil. Foi interessante ver um candidato falando de forma sutil e objetiva, ao contrário do que ocorre aí no Brasil, onde a demagogia impera, sobre a importância da educação na infância, como elemento transformador do jovem. Ele destacou a necessidade de se aprender a compreensão verbal e lógico-matemática no ensino. No nosso país mal se fala de educação, mesmo que de forma geral, é uma pena. 
Outro ponto importante, refere ao tema, é que não se vê menção a nome de político em lugar nenhum, excetuando nos jornais. Não há a imundice publicitária que  permeia o nosso processo. Muito além disso, isso reflete um curso de desenvolvimento da democracia, que estamos longe de alcançar, infelizmente.Também não desejo comparar a história política da França, com a do Brasil. Elas são completamente diferentes e caminharam em rumos diferentes ao ao longo da história. 
No mais, hoje tive o meu primeiro dia de aula na escola. Ela não é muito diferente de como ocorre no Brasil. Destaco, entretanto, que estar em  outro país, provoca uma diferença na compreensão do idioma. E isso ocorre de um dia para o outro. Sinto diferenças sensíveis com o passar do tempo. Imaginava isso, mas não no nível que está ocorrendo. 
Jusqu’a demain!
Bisous

segunda-feira, abril 09, 2012

Diário de viagem I - Paris e o impacto cultural.


Começar um diário de viagem é uma tarefa difícil. Até o presente instante, a única coisa que tenho para falar de interessante, é acerca do impacto cultural pelo qual eu estou passando, ou seja, transformar todas as minhas sensações, ao fim destas primeiras 24 horas, em palavras.
Bom, primeiramente houve uma certa dificuldade de comunicação. Pois não domino o inglês, nem o francês, mas consigo me virar com as duas línguas juntas. Entretanto, a minha hoster não se sentiu a vontade com essa peculiaridade na comunicação. Ela demonstra dificuldades em lidar com a situação. Não sei se é tipíco daqui, se é em virtude do tal do impacto cultural, ou se é uma questão peculiar dela, mas no primeiro dia isso acabou por proporcionar a sensação de acuamento. Foi exatamente neste ápice sinestésico, que iniciou-se a minha jornada em busca da compreensão do impacto cultural.
Muito além da língua, creio que isso acontece,  em virtude do fato de estar em uma cidade nova, completamente desconhecida, onde os hábitos são outros. Por exemplo, atrás da minha cama existe algo para pôr toalha, que inclusive esquenta-a, eu jamais saberia disso, se ela não dissesse. Além disso, os banheiros aqui são divididos em dois. Um para tomar banho e o outro para as necessidades. Não há torneira no segundo, nem Freud explica porquê. Também não há luminária no teto, eles usam um abajur que pseudo-ilumina o quarto.  Aqui também não há porteiro, eles têm um cartão magnético na entrada do prédio, pelo menos no que eu estou.
Outro ponto importante referente ao impacto cultural que sofri, refere-se ao clima. Tudo aqui gira em torno do frio, apesar de estarmos na primavera. Tentei dar uma volta no bairro apenas com um casaco, e quase morri. Minhas mãos começaram a congelar. E para completar, eu me perdi pelos quarteirões, não conseguia achar a bendita da casa.
Hoje, mais prevenido, saí com 4 casacos e uma blusa, mas ainda não foi o suficiente. Precisei me virar parar comprar um gorro (capot) e um par de luvas (gant), nada que um bom dicionário de francês não resolva. Aproveitando o dia livre, hoje é feriado de páscoa aqui, fiz meu city tour a pé. Rodei uma parte do que considero importante na cidade.  Andei até a Torre Eiffel, de lá até a Champs-Élysées, depois fui até Louvre, onde finalmente encontrei a escola, que é perto. Me perdi várias vezes, mas nada que uma boa necessidade de treinar o francês, um mapa na mão, e vários pela rua(há mapas enormes em todos os cantos) não resolvesesse. O povo francês me parece ser muito simpático quando se necessita de ajuda, todas as vezes que eu perguntei algo, fui bem atendido.
Além disso, preciso destacar o meu “momento brasileiro” do dia, quando caminhando pela Champs-Élysées, escutei um som familiar. Pensei comigo mesmo que isso não seria possível, ao fundo havia Michel Teló, com o “seu” clássico mundial. Deprimente. A música francesa estava combinando tão bem com a avenida. Quebrou meu clima de amor com Paris. Mas faz parte da vida.
Depois da longa jornada andando, e do susto com os preços, se tudo na França é caro, nos pontos turísicos é 3x mais caro. Até meio litro de água por 5 euros eu encontrei. Finalmente era hora de retornar. Para isso, fui até o metrô. E utilizei-o pela primeira vez na minha vida, algo que merece ser destacado, pois eu sou soteropolitano, e para quem não sabe, há um sendo construído lá já faz treze anos. Adorei a sensação de estar num metrô e percebi na prática as suas vantagens. É uma pena que os nossos governantes não pensem assim. Finalmente, para concluir meu post, sinto que hoje o impacto cultural é menor, e já compreendo a língua melhor. Amanhã retornarei com um post novo, com mais fotos, já que minha máquina não funcionou hoje.

Bisous

Au revoir!