Começar um diário de viagem é uma tarefa difícil. Até o presente instante, a única coisa que tenho para falar de interessante, é acerca do impacto cultural pelo qual eu estou passando, ou seja, transformar todas as minhas sensações, ao fim destas primeiras 24 horas, em palavras.
Bom, primeiramente houve uma certa dificuldade de comunicação. Pois não domino o inglês, nem o francês, mas consigo me virar com as duas línguas juntas. Entretanto, a minha hoster não se sentiu a vontade com essa peculiaridade na comunicação. Ela demonstra dificuldades em lidar com a situação. Não sei se é tipíco daqui, se é em virtude do tal do impacto cultural, ou se é uma questão peculiar dela, mas no primeiro dia isso acabou por proporcionar a sensação de acuamento. Foi exatamente neste ápice sinestésico, que iniciou-se a minha jornada em busca da compreensão do impacto cultural.
Muito além da língua, creio que isso acontece, em virtude do fato de estar em uma cidade nova, completamente desconhecida, onde os hábitos são outros. Por exemplo, atrás da minha cama existe algo para pôr toalha, que inclusive esquenta-a, eu jamais saberia disso, se ela não dissesse. Além disso, os banheiros aqui são divididos em dois. Um para tomar banho e o outro para as necessidades. Não há torneira no segundo, nem Freud explica porquê. Também não há luminária no teto, eles usam um abajur que pseudo-ilumina o quarto. Aqui também não há porteiro, eles têm um cartão magnético na entrada do prédio, pelo menos no que eu estou.
Outro ponto importante referente ao impacto cultural que sofri, refere-se ao clima. Tudo aqui gira em torno do frio, apesar de estarmos na primavera. Tentei dar uma volta no bairro apenas com um casaco, e quase morri. Minhas mãos começaram a congelar. E para completar, eu me perdi pelos quarteirões, não conseguia achar a bendita da casa.
Hoje, mais prevenido, saí com 4 casacos e uma blusa, mas ainda não foi o suficiente. Precisei me virar parar comprar um gorro (capot) e um par de luvas (gant), nada que um bom dicionário de francês não resolva. Aproveitando o dia livre, hoje é feriado de páscoa aqui, fiz meu city tour a pé. Rodei uma parte do que considero importante na cidade. Andei até a Torre Eiffel, de lá até a Champs-Élysées, depois fui até Louvre, onde finalmente encontrei a escola, que é perto. Me perdi várias vezes, mas nada que uma boa necessidade de treinar o francês, um mapa na mão, e vários pela rua(há mapas enormes em todos os cantos) não resolvesesse. O povo francês me parece ser muito simpático quando se necessita de ajuda, todas as vezes que eu perguntei algo, fui bem atendido.
Além disso, preciso destacar o meu “momento brasileiro” do dia, quando caminhando pela Champs-Élysées, escutei um som familiar. Pensei comigo mesmo que isso não seria possível, ao fundo havia Michel Teló, com o “seu” clássico mundial. Deprimente. A música francesa estava combinando tão bem com a avenida. Quebrou meu clima de amor com Paris. Mas faz parte da vida.
Depois da longa jornada andando, e do susto com os preços, se tudo na França é caro, nos pontos turísicos é 3x mais caro. Até meio litro de água por 5 euros eu encontrei. Finalmente era hora de retornar. Para isso, fui até o metrô. E utilizei-o pela primeira vez na minha vida, algo que merece ser destacado, pois eu sou soteropolitano, e para quem não sabe, há um sendo construído lá já faz treze anos. Adorei a sensação de estar num metrô e percebi na prática as suas vantagens. É uma pena que os nossos governantes não pensem assim. Finalmente, para concluir meu post, sinto que hoje o impacto cultural é menor, e já compreendo a língua melhor. Amanhã retornarei com um post novo, com mais fotos, já que minha máquina não funcionou hoje.
Bisous
Au revoir!