domingo, maio 18, 2014

[Poesia] Novas Considerações Sobre o Desejo.


Novas Considerações Sobre o Desejo.
-
O Desejo é sórdido
Vagueia livremente,
Sem moralismos 
Ou compromissos, 
Liberto e teimoso,
Passeia, desobedece.
Ri sarcasticamente
Enquanto faz e desfaz. 
O Desejo guarda em si mesmo,
A própria razão da sua existência.   
E quando contrariado, 
Zomba com ironia das meias-escolhas,
Das meias-vontades,
Do existir mais ou menos.
E quer mesmo por cima,
Em movimentos uníssonos 
Ou desritmados, 
Entre os mais vagos sentimentos,
De amor e ódio. 
O Desejo é uma espécie de baderna. 
Fala, berra, apresenta-se. Impõe-se. 
Quando diz, muito é dito.
Mas também desdiz. Silencia-se. 
Esconde-se ou é escondido?
E mesmo nas frestas da calmaria,
Impele, puxa, impulsiona.
Empurra. Faz-se notado. 
O desejo é o simplório profundo 
É o mistério liberto, 
É o tumulto da ambição humana. 
(Antônio Alberto P. de Almeida)


quinta-feira, maio 08, 2014

[Poesia] Olhar.


Olhar.
-
Prescrutar olhares
Vai além dos enunciados
E das suas enunciações.

Há mais franqueza nas vistas.

Quem escuta os olhares,
Ouve as palavras da alma.
(Antônio Alberto P. de Almeida)

Fonte da foto.

segunda-feira, maio 05, 2014

[Poesia] 450 dias em SP.

450 dias em SP.
-
Escapa-me a significação,
No arriscar da definição,
Sobre esta velha
Cidade brasileira.

(Velha e moderna.)

Aceito.

Paro, não tento mais.

Poetas, escritores, músicos.
Vieram antes de mim.

Eis o lugar do tudo e do nada,
Das contradições
E dos antagonismos.

Observo e absorvo
As lições diárias,
Que ela me ensina,
Ao longo dos meus dias,
Nas suas curvas, nas suas esquinas,
No seus caos singelo e belo
Das suas flores,
Em meio ao asfalto.

E o que segue é uma vida,
Com mais sabedoria.
(Antônio Alberto P. de Almeida)

sexta-feira, maio 02, 2014

[Poesia] Sobre paixões, amores, etc.


Sobre paixões, amores, etc.

Sentir é a miséria do humano.
É o em si próprio, desconhecido.
É uma razão sem razão
Que está para além do ego.

Algumas vezes amamos sem amar.
Dizemos estar apaixonados
E não estamos.
Ou negamos.
Parece que sim, mas não é.
E é, sem parecer.
E a efemeridade lança
Mãos e pés,
Sob os cobertores da  vida,
E do tempo.
E o que resta de lição,
É que não se define a desrazão
Na razão de um sentir momentâneo.
E sim na lembrança que restou,
Daquele finado afeto.
(Antônio Alberto P. de Almeida)