Novas Considerações Sobre o Desejo.
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O Desejo é sórdido
Vagueia livremente,
Sem moralismos
Ou compromissos,
Liberto e teimoso,
Passeia, desobedece.
Ri sarcasticamente
Enquanto faz e desfaz.
O Desejo guarda em si mesmo,
A própria razão da sua existência.
E quando contrariado,
Zomba com ironia das meias-escolhas,
Das meias-vontades,
Do existir mais ou menos.
E quer mesmo por cima,
Em movimentos uníssonos
Ou desritmados,
Entre os mais vagos sentimentos,
De amor e ódio.
O Desejo é uma espécie de baderna.
Fala, berra, apresenta-se. Impõe-se.
Quando diz, muito é dito.
Mas também desdiz. Silencia-se.
Esconde-se ou é escondido?
E mesmo nas frestas da calmaria,
Impele, puxa, impulsiona.
Empurra. Faz-se notado.
O desejo é o simplório profundo
É o mistério liberto,
É o tumulto da ambição humana.
(Antônio Alberto P. de Almeida)



