Os Antagonismos da Vida.
[Por fora.
Na minha boca resta uma voz muda,
Daquilo que não lhe digo,
O silêncio contido que reverbera,
No meio da gritaria da cidade
Que hora nenhuma cessa... nos corpos das avenidas.
[Por dentro.
No meu coração há uma leve canção,
Que é aquilo que não lhe digo,
E se desenha no cintilar da sua ausência,
Eis a inscrição d'um desejo voraz.
Que hora nenhuma cessa... em mim.
[A linha entre o por fora e o por dentro.
Entre a minha voz muda e as avenidas,
Há o vivenciar dos antagonismos,
Eis a voracidade do desejo,
Diante da impossibilidade de dizer.
D'onde se inscreve a palavra desencontrada,
Que hora nenhuma cessa... na desarmonia deste viver.
(Antônio Alberto P. de Almeida)