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A Princesa e o Plebeu.
Tornei-me encantando ao ver em vida a Imperatriz
dos meus sonhos; sonho em lamber o doce mel
do néctar da sua voz; em desvairar eternamente
pelas suas curvas graciosas, dotadas do mais
insano perfume de rosas. Num olhar, fez do meu
coração, meretriz; deixou-me na encruzilhada dos
devaneios; embebedou-me com as suas curtas e
pouco casuais presenças; me fez desvairar nas
crises de abstinência, da sua eterna ausência.
Seria auspicioso crêr nos sonhos; sou um mágico
utopista, querendo transformar o nada em amor;
e a mais bela das margaridas do jardim em Afrodite.
Jamais viveria outros crespúculos tão infinitamente
belos; não pretenderia outras manhãs, tampouco
Rainhas. E as minhas luas seriam todas despojadas
pelos granjeios da perdição dos seus lábios vermelhos.
E pararia para rir dos seus primeiros véus rasgados;
das eternas noites de amor; dos dias de tédio jamais
vistos; do voar das abelhas; dos infinitos sussuros
da natureza e do enfadonho barulho das latas.
Rabiscaria palavras na volúpia das suas curvas.
Traduziria as nossas existências em uma eterna
apresentação circense; pobre é o meu coração
que escolheu a ti, a mais laboriosa das princesas.
Seria um servo da sua vaga tristeza; e se só o
amor não saciasse, eu não prometeria os céus;
lhe daria o mais belo dos carrosseís que fizesse
jus a grandeza da sua eterna opulência clássica
Sou um bobo da corte aprisionado nos labirintos
do mais cínico de todos feitiços do reino: o amor.
Desgraçado! Sempre cometendo obscenidades
torpes; levando almas a vislumbrar sensações
que elas jamais chegarão a provar. Gargalha de toda
a minha desgraça a bruxa cínica e sádica que me
torra em feitiços por ti; e no mesmo caldeirão vedou
seus olhos para uma eterna valsa com outra paixão.
(Antônio Alberto P de Almeida.)

Aforismo Poético XLIII - Do meu coração para o seu.
O amor é a casinha na qual a gente ganha refúgio dentro do coração de alguém...
(Antônio Alberto P de Almeida.)