Sobre a Passagem do Tempo.
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Era uma noite de clima ameno, o que para aquela cidade no meio da serra representava um clima muito mais quente do que nos luares antecedentes. Havia o ócio e o cansaço. Pus-me, levado pelo acaso, a revirar papéis antigos em busca do desimportante. Neste ato espúrio, estive sendo movido apenas pela curiosidade de fazer comparações entre aquilo que passou e aquilo que acontecia nos instantes do presente.
Primeiro, encontrei fotos de rostos, levemente modificados pela ação do imponderável, que representam afetos que permanecem no âmbito da troca entreolhares, mesmo após anos de descaminhos, mudanças. Sorri, pois percebi, com mais profundidade, o quanto o registro das máquinas digitais do presente representavam mais do que apenas momentos do presente. Em paralelo a estas, vi aqueles que se perderam pelo tempo em decorrência de atos banais e o poder que o mal-entendido tem de destruir, ou ao menos pôr em silêncio, aquilo que é da ordem da beleza do encontro. E também vi aquilo que aparentava em existir, mas em verdade, era apenas atuação e conveniência e hoje, não representa nada, nem saudade.
Depois, deparei-me com o tempo e as suas abstrações. Pude ver o quanto evolui, o quanto errei e acertei, sonhos e desejos que se foram, pude perceber a marca da passagem dos dias no rosto e também na alma. Sobretudo na alma. Pois carregamos o tempo nas costas e dele, levamos aquilo que fica na memória e o que fomos capazes de aprender com as decisões que tomamos, com as coisas que vivemos e com os encontros e desencontros pelos quais passamos.
Lembrei-me da frase da música de Vinicius de Moraes: “A Vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”.
E no final,
Ao deixar de olhar para o passado e vislumbrar o futuro, acabei chegando a conclusão de que apesar de estar em busca de respostas, apenas pude me deparar com mais perguntas, não mais sobre o que passou, mas sobre o vislumbre do que estar por vir.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
