Se pouco sei, posso muito idealizar. Se muito sei, não idealizo. É a minha sina poética.Como se não bastasse o caminho sem rumo, de um mundo bastardo. Ainda sobram os amores platônicos, que fazem e se desfazem com uma velocidade intensa. Não que eu esteja disposto a exercer o ultra-romantismo, de lá, quero distância.
Quero mesmo, é a poesia da pele deslizando sobre o sonho dentro da vida. Mas, por ora, é difícil. São tempos difíceis para os sonhadores. Desejar o imprevisível, não garante o meu saber sobre ele. Muito pelo contrário. Me afunda na minha própria ignorância de ser um pobre mortal, deitado sobre o barco a vela, que obedece as ordens do vento, e vai atrás do paraíso perdido, sem saber sequer se ele existe.
É como se ora, o mar, pudesse ser cômico, ora trágico. E assim é a vida. E assim são os amores. E assim é se apaixonar. E também transformar desejos em segredos, como se de alguma forma fosse uma infração grave, revelá-los perante o mundo. Por ora, talvez seja. E talvez todos eles, sejam um pouco assim. Pois muitos, surgem da nossa própria subjetividade pessoal, da nossa fantasia.Nunca há garantias do afago da compreensão. Tampouco da reciprocidade.
Penso que há um pouco de loucura nisso tudo. Mas não é a loucura, que as pessoas costumam ver como loucura, é a loucura de saber que há algo em nós, que pode não fazer sentido para o outro. Por mais que sempre saibamos a razão que nos acomete. Nem sempre esta coisa, tão funda, é fácil de ser alcançada. É preciso esforço, interesse. Creio que essas coisas, por si só, já são atos que de alguma forma, estão relacionados ao amor. Então, eu não sei. Talvez os desejos escondidos, emerjam, quando tem que emergir. Ou não. Talvez demande habilidades, que eu não tenho, e eu queira me livrar da culpa, criando uma fantasia. Só o tempo me dirá, qual das minhas proposições estava certa, por ora, eu simplesmente não sei.
(Talvez pense demais nessas coisas.)
(Antônio Alberto P. de Almeida)