Os seus
olhos tão intrigantes
Que nos
tempos de claridade
Deixam os
meus sem rumo
Quando se descortina
a madrugada
Metamorfoseia-os
em criaturas insones
Sou apenas um reles mortal
Que mergulha
nos olhos afundados
Pela intensa
falta de razão
D’onde o
tempo pode não aclamar
Que será que
há algo nesse mundo
Que aglutine
tanta coisa nobre
Na mera
insignificância do que
Pode ser um
palhaço em espelho?
Sou apenas
um reles mortal
Divago nesta
filha da loucura
D’onde
enxergo um olhar
Nas
profundidades d’uma Monalisa
E o que
resta, é parte de um lamento
Eis que
busco uma resolução
Deste
mistério profano da vida
Que eu mesmo
inventei
Sem eira,
nem beira
Sem uma
virtude explícita
É como uma parte suja de mim
Que insiste
em ser malabarista
E no fundo,
bem no fundo
Repete-se em
espetáculos estranhos
Onde é ator
de peças sem futuro...
(Antônio
Alberto P. de Almeida)