Os Antagonismos da Vida.
[Por fora.
Na minha boca resta uma voz muda,
Daquilo que não lhe digo,
O silêncio contido que reverbera,
No meio da gritaria da cidade
Que hora nenhuma cessa... nos corpos das avenidas.
[Por dentro.
No meu coração há uma leve canção,
Que é aquilo que não lhe digo,
E se desenha no cintilar da sua ausência,
Eis a inscrição d'um desejo voraz.
Que hora nenhuma cessa... em mim.
[A linha entre o por fora e o por dentro.
Entre a minha voz muda e as avenidas,
Há o vivenciar dos antagonismos,
Eis a voracidade do desejo,
Diante da impossibilidade de dizer.
D'onde se inscreve a palavra desencontrada,
Que hora nenhuma cessa... na desarmonia deste viver.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
É na fresta deixada pelos afetos que não se inscrevem, que debutam as palavras que partem ao mundo.
segunda-feira, junho 01, 2015
[Poesia] Os Antagonismos da Vida
quarta-feira, maio 13, 2015
[Poesia] Civilizaçãosemespaço
Civilizaçãosemespaço.
I
Dois minutos para entramos no amanhã.
Três horas no trânsito.
Vinte minutos para o trabalho.
Observo o ser-em-carros [lentos] e velozes,
Dando passos ligeiros apressados.
Em três dias termina o prazo,
Em meia hora perco o horário.
Observo o ser-em-angústia,
Buscando a sobrevivência [ou a glória]
Em ocupações tenazes.
Em duas horas o relógio apita,
Em cinco meses alcanço as férias.
Daqui a uma década a vida há de mudar.
Observo o ser-em-caráter-cíclico.
Em prédios d'onde a luz é artifício.
Quinze minutos para uma conversa,
Mais dois minutos para a partida.
É tanta coisa nessa vida!
Passam os pensamentos,
Não se observa nem os desejos.
Os olhares passam despercebidos.
(Será que algum deles haveria de lhe tocar?)
II
A correria está rente à sinestesia
Da troca constante que emerge no dia-dia
É tanta coisa que passa sem ser vista
Ô Seres humanos! Tão próximos e tão distantes.
Observo a desrazão no ato d'uma vida,
Sem olhares, sem amores e sem afeto.
Se inventaram o líquido do instantâneo.
Vale mesmo esta assunção do vazio?
(Antônio Alberto P. de Almeida)
I
Dois minutos para entramos no amanhã.
Três horas no trânsito.
Vinte minutos para o trabalho.
Observo o ser-em-carros [lentos] e velozes,
Dando passos ligeiros apressados.
Em três dias termina o prazo,
Em meia hora perco o horário.
Observo o ser-em-angústia,
Buscando a sobrevivência [ou a glória]
Em ocupações tenazes.
Em duas horas o relógio apita,
Em cinco meses alcanço as férias.
Daqui a uma década a vida há de mudar.
Observo o ser-em-caráter-cíclico.
Em prédios d'onde a luz é artifício.
Quinze minutos para uma conversa,
Mais dois minutos para a partida.
É tanta coisa nessa vida!
Passam os pensamentos,
Não se observa nem os desejos.
Os olhares passam despercebidos.
(Será que algum deles haveria de lhe tocar?)
II
A correria está rente à sinestesia
Da troca constante que emerge no dia-dia
É tanta coisa que passa sem ser vista
Ô Seres humanos! Tão próximos e tão distantes.
Observo a desrazão no ato d'uma vida,
Sem olhares, sem amores e sem afeto.
Se inventaram o líquido do instantâneo.
Vale mesmo esta assunção do vazio?
(Antônio Alberto P. de Almeida)
domingo, maio 10, 2015
[Poesia] O Desejo e a Linguagem
O Desejo e a Linguagem.
-
O que emerge da singularidade é o desejo.
Em meio às estórias contadas pelo mundo,
Nas memórias retorcidas e inscritas no fundo,
Do canto da alma d'onde o gesto simples não alcança.
A singularidade faz do desejar,
Ato que se assemelha a um véu,
Em busca d'um corpo d'onde repouse.
Se encontras... torna-se intenso.
Vê-se na fantasia, um belo encontro.
Entre um desejo e outro desejo,
Há o mal-dito da linguagem...
Aquilo que vai, se metamorfoseia...
O que volta é contornado pela fantasia.
Os corpos se cruzam bastante.
A desejo é metaforizado pelo olhar.
Os olhares vão em direções opostas.
Ou se bastam na singularidade da cena.
Ou um olhar vê outro olhar que vê outro olhar...
Cada desejo é dono de um véu singular,
O encontrar-se é o velho debutante do acaso.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
-
O que emerge da singularidade é o desejo.
Em meio às estórias contadas pelo mundo,
Nas memórias retorcidas e inscritas no fundo,
Do canto da alma d'onde o gesto simples não alcança.
A singularidade faz do desejar,
Ato que se assemelha a um véu,
Em busca d'um corpo d'onde repouse.
Se encontras... torna-se intenso.
Vê-se na fantasia, um belo encontro.
Entre um desejo e outro desejo,
Há o mal-dito da linguagem...
Aquilo que vai, se metamorfoseia...
O que volta é contornado pela fantasia.
Os corpos se cruzam bastante.
A desejo é metaforizado pelo olhar.
Os olhares vão em direções opostas.
Ou se bastam na singularidade da cena.
Ou um olhar vê outro olhar que vê outro olhar...
Cada desejo é dono de um véu singular,
O encontrar-se é o velho debutante do acaso.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
sábado, maio 02, 2015
[Poesia] Civilização?
Civilização?
-
A modernidade guarda poucas palavras,
Rente ao excesso de formalidade.
Um bom dia medido contém olhares comedidos. [Todos estão com pressa.
Somos muito bons em mediocrizar a vida.
Ao transformar tudo numa amarga rotina.
E o exagero do afeto que escapa à ordem,
Costuma ser um dizer sobre o amor.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
-
A modernidade guarda poucas palavras,
Rente ao excesso de formalidade.
Um bom dia medido contém olhares comedidos. [Todos estão com pressa.
Somos muito bons em mediocrizar a vida.
Ao transformar tudo numa amarga rotina.
E o exagero do afeto que escapa à ordem,
Costuma ser um dizer sobre o amor.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
terça-feira, abril 28, 2015
[Poesia] Notas Sobre o Querer. Ou Poemas que Seguem Dispersos Pelos Anos. Ou o Mais Íntimo dos Poemas.
Notas Sobre o Querer.
Ou Poemas que Seguem Dispersos Pelos Anos.
Ou o Mais Íntimo dos Poemas.
-
Onde há alma que faz pulsar a vida,
Observo vários vestígios do querer,
Uma parte vai mesmo na linguagem,
outra parte é recoberta pelo silêncio.
E o querer guarda por detrás de si,
O mais íntimo dos lados,
Poucos desvendam esta parte.
[Perdeu-se a proximidade das almas.
E outra parte é mais que despercebida,
[Por vezes até por nós mesmos.
E a palavra que acompanha o querer?
O que é capaz de dizer?
Faz essência no desejo ou na vontade?
O véu que recobre o seu sentido.
É um profundo mistério enigmático.
Sobre o meu desejo que nunca lhe contei,
Pouco teria a dizer,
Se não além disso... trata-se de um desejo.
E o que mais precisaria dizer?
Não teria nada de mais sincero [e profundo.
Basta o verbo desejo.
Trata-se de um contraponto à modernidade.
Quando digo "eu desejo..."
O sentido é querer desvendar o íntimo,
Desvelar sobre o desconhecido.
E no momento seguinte.... é o desejo recoberto...
Que ao se impor, não precisa mais do dito.
O silêncio, então, é o véu que basta.
No encontro de um olhar com outro olhar.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
Ou Poemas que Seguem Dispersos Pelos Anos.
Ou o Mais Íntimo dos Poemas.
-
Onde há alma que faz pulsar a vida,
Observo vários vestígios do querer,
Uma parte vai mesmo na linguagem,
outra parte é recoberta pelo silêncio.
E o querer guarda por detrás de si,
O mais íntimo dos lados,
Poucos desvendam esta parte.
[Perdeu-se a proximidade das almas.
E outra parte é mais que despercebida,
[Por vezes até por nós mesmos.
E a palavra que acompanha o querer?
O que é capaz de dizer?
Faz essência no desejo ou na vontade?
O véu que recobre o seu sentido.
É um profundo mistério enigmático.
Sobre o meu desejo que nunca lhe contei,
Pouco teria a dizer,
Se não além disso... trata-se de um desejo.
E o que mais precisaria dizer?
Não teria nada de mais sincero [e profundo.
Basta o verbo desejo.
Trata-se de um contraponto à modernidade.
Quando digo "eu desejo..."
O sentido é querer desvendar o íntimo,
Desvelar sobre o desconhecido.
E no momento seguinte.... é o desejo recoberto...
Que ao se impor, não precisa mais do dito.
O silêncio, então, é o véu que basta.
No encontro de um olhar com outro olhar.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
Assinar:
Postagens (Atom)